“São Paulo, 02 de dezembro de 1.995

Querido amigo, como vai?
Quantas saudades tenho de você, de seu sorriso amigo, de suas palavras francas, de seu jeito de ser ... enfim, de tudo o que você representa na minha doce vidinha de sempre.
Ah, amado, quantas coisas já se passaram na minha vida desde que lhe escrevi, a última vez. Quanta coisa pode ser resolvida, quantos problemas puderam ser esclarecidos, quantas ... ah, sei lá, foi tanta coisa que aconteceu que eu nem sei como lhe falar. Mas o motivo pelo qual eu lhe escrevo é um pouco diferente - não é mais sobre ele que quero falar, mas sim sobre mim.
Amigo, estou confusa com a vida que levo. Tantas mudanças, tantos problemas. Um pai que não me compreende, uma mãe que não me ouve, uma família que me despreza ... o que posso fazer para resolver isso, meu Deus ?
Eu sei o que você diria: “o tempo é o senhor da razão, e o futuro dirá o que vai acontecer”. Mas, às vezes, faltam-me as forças para lutar - e é por isso que escrevo: para poder desabafar com você, falar dos problemas e me sentir mais forte, para lutar por mim.
Dentro dessa redoma de vidro onde vivo, conheci muitos, mas nenhum que fosse como você. Você é puro e sincero, doce como a brisa do vento, calmo como o mar da bonança, tranquilo e sereno, limpido e forte.
Por isso confio em você, meu amigo.
Muito. Mesmo.
Obrigada por você ser o que você já é.
Beijos, com amor.”
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